Modernidade Ignorada

África foi um local importante para o desenvolvimento do movimento moderno, tendo sido palco de algumas das maiores e mais criativas obras que marcam este período da arquitectura. Não havendo lugar para a liberdade criativa em Portugal, arquitectos como Vasco Vieira da Costa e Simões de Carvalho, após colaboração com Le Corbusier, encontraram em Luanda, o local perfeito para criar edifícios com valores do movimento moderno, longe da influência autoritária do Estado Novo e dos seus valores fascistas.

La Modernidad Ignorada, foi o resultado de um trabalho conjunto de investigação universitária que envolveu a Universidade Agostinho Neto (Angola), a Universidade Alcalá (Espanha) e Universidade Técnica de Lisboa (Portugal).

Segundo os coordenadores, Paz Núñez e Roberto Goycoolea, o projecto nasceu de uma preocupação compartilhada entre arquitectos e historiadores angolanos, portugueses e espanhóis: estudar e divulgar o que foi, ainda é, e pode ser, a ignorada, arquitectura moderna subsariana.

Mercado do Kinaxixe, Luanda. Fonte aqui.
Interior do mercado do Kinaxixe, Luanda. Fonte aqui.
Bairro do Prenda, Luanda. Fonte aqui.
Maquete bairro do Prenda, Luanda. Fonte aqui.

Na capital de Angola, uma experiência revolucionária de desenvolvimento urbano foi desenvolvida entre 1950 e 1975, definida pela funcionalidade, abertura à tecnologia, visão global e serviço à sociedade.

Rádio Nacional de Angola, Luanda. Fonte aqui.

A arquitectura desenvolvida em Luanda, no âmbito do Movimento Moderno, apresenta alguns dos melhores exemplos produzidos segundo os seus princípios. A produção arquitectónica e urbanística na cidade pode ser dividida em dois períodos: o primeiro entre 1920 e 1950, com importantes projectos tanto de planeamento urbano como de arquitectura com a construção de edifícios marcantes que viriam a definir a estrutura urbana da cidade. O segundo período está compreendido entre 1960 e 1975, com a consolidação da cidade moderna.

Hotel Panorama, Luanda. Fonte aqui.

A expressão desta arquitectura, traduziu não só os ensinamentos da Carta de Atenas, de Le Corbusier, mas também as formas modernas desenvolvidas no Brasil. Os maiores representantes do movimento moderno em Angola foram os arquitectos Vasco Viera da Costa e Simões de Carvalho, que tendo sido pupilos de Le Corbusier, tiveram em Angola o espaço para a experimentação do movimento, criando edifícios racionais e funcionais, com formas geométricas bem definidas e ausência de ornamentação.

O projecto Modernidad Ignorada foi já apresentado, sob diversas formas e iniciativas, em vários países, designadamente Portugal, Espanha, Angola, Chile e Itália.

Algumas exposições “Modernidade Ignorada”. Esquerda para a direita: Facultade de Arquitectura da Universidade Técnica de Lisboa (Maio 2012), Sede da Casa África em Las Palmas de Gran Canaria (2013) e Facultade de Arquitectura da Universidade Agostinho Neto de Luanda (2013). Fonte aqui.

Para conhecer melhor o trabalho desenvolvido acesse o site do projecto.

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