ZEITZ MOCAA: Museu de Arte Contemporânea Africana

Inaugurado em Setembro de 2017, o Zeitz Mocca é o primeiro museu em África dedicado à arte contemporânea africana e da sua diáspora. O projecto a cargo do atelier com sede em Londres Heatherwick Studio, transformou o antigo celeiro/armazém de grãos numa obra arquitectónica de referência em Victoria & Alfred Waterfront, Cidade do Cabo. O antigo edifício, construído na década 1920, era por si uma obra emblemática, e em 2001 quando foi desactivo, surgiu o debate de qual seria o futuro daquele que já fora considerado um dos mais altos edifícios da África do Sul.

O imponente edifício no passado, destacando-se na paisagem. Fonte aqui

O projecto visou transformar 42 tubos de betão armado com cerca de 33 metros de altura e 5,5 metros de diâmetro (sem espaçamento entre si), num espaço interior de qualidade, funcional, que além de assumir e homenagear o seu carácter industrial, se tornaria no lar de uma importante instituição sem fins lucrativos e lugar de exposição da mais significante colecção de arte contemporânea africana.

Vista exterior do museu. © Iwan Baan

Deixamos aqui a descrição dos autores do projecto sobre a sua obra:

O imponente silo de grãos da Cidade do Cabo já foi usado para armazenar e graduar o milho de toda a África do Sul. Mas com o advento do transporte em contentores, a enorme parte da infraestrutura em betão armado foi desactivada e precisava de um novo propósito.
Pouco depois de o Victoria & Alfred Waterfront ter entrado em contacto com o estúdio para desenvolver e adaptar o local, surgiu uma iniciativa para se criar o primeiro museu internacional de África dedicado à arte africana contemporânea.
Os dois programas coincidiram para transformar o silo de grãos em um novo lar permanente para a colecção de arte contemporânea de Jochen Zeitz e Zeitz Foundation e como o ponto de partida para criação do novo museu.

O edifício original era composto por dois elementos principais – uma torre de classificação e um bloco de 42 silos compactos. Em vez de recorrer à demolição completa do edifício, o estúdio aceitou o desafio de converter o conjunto de tubos de betão armado em espaços para exposição artística, mantendo o carácter industrial do silo.

O átrio criado a partir do corte dos tubos de betão armado. Fonte aqui

A solução encontrada pelo estúdio foi a de esculpir um grande espaço central a partir da estrutura de betão armado dos tubos, para formar um espaço social importante que revela as geometrias originais, que se cruzam de uma maneira inesperada. Os tubos de perímetro foram então substancialmente cortados e convertidos em cinco andares de galerias para exposições permanentes e temporárias.

Os tubos esculpidos acima do espaço do átrio permitem a entrada de luz natural através de grossas camadas de vidro laminado, com um padrão encomendado ao artista da África Ocidental, El Loko. O padrão do vidro cria uma superfície acessível para o jardim de esculturas no nível superior, permitindo que a luz do dia penetre no interior do edifício e permitindo a renovação do ar no seu interior.
Na torre de classificação, as paredes de betão foram cortadas entre a estrutura para criar novas janelas tridimensionais que reflectem um caleidoscópio de texturas e cores que mudam ao longo do dia. À noite, o brilho das luzes do interior transforma a torre em farol para o porto.

Vista exterior do museu. © Iwan Baan

O edifício alberga mais de cem galerias de exposição, espalhadas por nove andares, entre exposições permanentes e temporárias de arte africana do século XXI, de vários artistas, entre eles o fotógrafo angolano, vencedor do Leão de Ouro da Bienal de Veneza de 2013, Edson Chagas.

Planta do edifício original. Fonte aqui
Corte esquemático. Fonte aqui
Corte esquemático. Fonte aqui
Plantas do edifício alterado. Fonte aqui
Maqueta do edifício. Fonte aqui
Vista exterior do edifício. Fonte aqui
Vista interior do edifício. © Iwan Baan
O edifício na paisagem do porto. © Iwan Baan

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