Espaço Público: A Praça

Como definição, Espaço Público, é considerado aquele cujo o uso seja comum e de domínio colectivo, e que, pertencendo ao público, a sua utilização privada não é permitida (à exceção de autorização prévia). Os espaços públicos constituem-se como elementos estruturantes e organizativos da forma urbana, permitem um funcionamento equilibrado do sistema urbano, apresentam um papel integrador ao permitir a ligação e continuidade territorial e funcional de toda a cidade, fundam e consolidam laços sociais ao se constituírem “palcos” de manifestações várias (como as sociais) que contribuem para a qualidade de vida, individualizam–se como marcos de identidade da cidade, denotam simbolismo (político e cultural), ostentam funções variadas e usos específicos, e acolhem utilizadores de grupos sociais diferentes (moradores, visitantes, turistas, e outros utilizadores de forma individual e, ou, colectiva) que apresentam expectativas diferenciadas. Indubitavelmente, classificam–se como elementos qualificadores da colectividade tanto em termos materiais (urbanísticos, ocupação física) como também em termos imateriais (históricos, culturais, sociais, de identidade) que condicionam a vivência urbana. Ainda assim, a noção de espaço público sofreu alterações que se materializaram na cidade de modos diferentes, pelo que existem contrastes entre os espaços públicos tradicionais e os espaços públicos modernos em vários aspectos como a superfície ocupada, estrutura, componente volumétrica, morfologia, uso, vegetação, pavimento, mobiliário urbano, entre outros.

Baia de Luanda. © Fonte aqui.

Espaços públicos livres estão normalmente relacionados com espaços exteriores; de circulação, contemplação, e ou lazer; como as praças, largos, ruas e jardins. Mas existem ainda os espaços que, pertencendo à esfera privada, funcionam em simultâneo como elementos de carácter público, havendo assim a necessidade de serem mais controlados ou até mesmo evitados, tal como nos Hospitais, Escolas e Centros Culturais.

Espaço público de domínio privado: Interior de um dos centros comerciais de Luanda. Fonte aqui.

Dentro dessas diferentes materializações daquilo que se entende por espaço público, a Praça assume o protagonismo, sendo a mais óbvia, comum e reconhecida tipologia de espaço público urbano, seja pelas suas características, bem como pelo seu passado histórico.

A Praça

Assim, a Praça, pode ser considerada como qualquer espaço urbano, público, que seja livre de edificações que, pelo seu carácter público, propicie a convivência entre utilizadores. Esta definição pode ainda variar consoante a cultura de cada lugar, estando geralmente associado à ideia de ser um espaço acedido a pé, priorizando o acesso pedestre em detrimento do acesso automóvel, ainda que não seja uma regra.

Os primeiros espaços urbanos projectados para cumprir a função hoje atribuída às Praças, remontam aos Gregos e Romanos, com a Ágora e o Fórum, respectivamente. A Ágora grega era o local de discussão e debate de ideias entre os cidadãos. O Fórum romano diferencia-se da Ágora na medida em que o espaço de discussão não era a praça pública, aberta, mas o espaço fechado dos edifícios, nos quais a utilização era mais restrita.

Ilustração da antiga Ágora grega em livro de 1880. Fonte aqui.
Ilustração do antigo Fórum romano em livro de 1877. Fonte aqui.

A praça moderna, referente aos espaços públicos modernos, ocorre em grande parte de pré-existências de espaços públicos, ou simplesmente de espaços que, ainda que não delimitados, ou projetados para o efeito, servissem como ponto confluente, ponto de encontro de cidadãos, para o exercício de vários e diversos tipos de actividades, conservando assim um hábito, uma tradição para a forma de utilizar o espaço. Estas praças elaboradas de raiz ou somente redesenhadas são uma forma de poder reviver esses eventos passados, adaptando o “antigo” espaço para as necessidades do tempo moderno, ainda que respeitando, ou não, as pré-existências.

As praças podem contribuir para a formação de uma sociedade, sendo, nesse papel, responsáveis pela transformação social no que diz respeito ao inter-relacionamento das massas, como na transição entre edifícios e espaços.

Apesar de actualmente existirem Praças em recuperação ou reabilitação no centro da cidade de Luanda, a sua função como tal está pouco presente na dinâmica urbana de quem vive a cidade. Ao contrário dos antepassados europeus, a cultura de utilização da praça em Luanda não é uma característica presente na estrutura urbana e social da cidade. Maioritariamente pela falta de espaços (praças) qualificados, o seu uso era frequentemente relacionado com venda ambulante ou paragem para transportes públicos, kadongueiros, e não propriamente para convívio social ou encontro com a natureza, mas considerando que a apreensão do sentido de “praça” pode variar consoante a cultura de cada lugar, é fácil assumir que em Luanda o sentido de praça se perde ou se esconde na definição de “Largo”, que toma o lugar de responsável pelo “inter-relacionamento das massas”.

Largo Infante D. Henrique, antigo Largo do Baleizão. © The Sanzala
Largo da Mutamba. © The Sanzala
Ciclovia na Baía de Luanda. © The Sanzala
Largo Rainha Ginga. © The Sanzala
Praça do Museu da moeda. © The Sanzala
Largo do Héroi Desconhecido © The Sanzala
Alameda Manuel Van-dúnem. © The Sanzala
Largo do Ambiente. © The Sanzala
Largo Lumeji. © The Sanzala

4 Comentários

  1. Bom conteúdo pra minha monografia.
    Estou a necessitar de imagens dos equipamentos urbanísticos da marginal (Baía) de Luanda com as suad dimanções para eu modelar. Ou vocês podem disponibilizar para mim, se possivel, um link pra download.

    Obrigado!

    • Caro Beno, muito obrigado pelo seu comentário.
      Só os autores de tais equipamentos possuem esta informação, infelizmente não o podemos ajudar com isto.

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