Development Workshop Angola: Debate à Sexta-Feira (Convite)

Acontece nesta sexta-feira, 13 de Abril, mais um “Debate à Sexta-Feira“, organizado pela Development Workshop. O evento terá como tema  “A Construção de Bairros Indígenas em Luanda 1922-1962: Fomento ou Controlo?”, e terá como prelector o Docente e Antropólogo Yuri Manuel Francisco Agostinho, graduado pela Faculdade de Ciências Sociais da Universidade Agostinho Neto e mestre em Ensino de História de África pelo Instituto Superior de Ciências da Educação de Luanda (ISCED). O debate realizar-se-á no escritório sede da DW, na Rua Rei Katyavala Nº 113, e terá início às 15:00 horas. A entrada é livre, e a DW convida todos interessados a participarem. Para receber na sua caixa de correio electrónico, os convites para este e outros eventos organizados pela DW, inscreva-se aqui; e caso queira ouvir os debates antigos, deixamos aqui o link para que possa fazê-lo.

Segue o resumo do trabalho de Yuri Manuel Francisco Agostinho, extraído na íntegra do site do “International Congress – Cities Through History“. Segue o texto:

O presente trabalho tem como objectivo estudar a construção de bairros indígenas em Luanda como espaço de segregação. A tarefa é de olhar como foi este processo, compreender as motivações que levaram a construção destes bairros, estudar as posições concernente ao tratamento dado aos indígenas em relação ao urbanismo. Através desta perspectiva, será possível analisar questões ligadas ao urbanismo, crescimento da cidade de Luanda, população, segregação social e espacial, questão da habitação, políticas para a construção de casas para os indígenas, estabelecimento de bairros no espaço urbano e por fim identificar os bairros indígenas de forma a analisa-los segundo as dinâmicas sociais decorrentes ao longo tempo. Por outras palavras, esta dissertação olha sobre a marca de um produto habitacional, que definiu bairros para indígenas em Luanda, que muitos tiveram o carácter de bairros segregados. Escolhemos os bairros indígenas para um estudo em história social por razões de intersecção de elementos raciais e urbanísticos, os resultados do estudo podem constituir um paradigma para outros trabalhos sobre as outras cidades de Angola. Para a execução do trabalho, usámos fundamentalmente técnicas documentais, já que o horizonte temporal (1922-1962) obrigou-nos para que procedêssemos desta forma. Com base ao objecto deste trabalho, utilizamos como técnicas de pesquisa os seguintes elementos: 1- Campo de observação que compreende o período de 1922 e 1962; 2- A conjugação das técnicas documentais e não documentais; 3- A articulação do debate interdisciplinar. Depois do trabalho árduo de selecção e a recolha de possíveis fontes, utilizamos o método hermenêutico no exame e esclarecimento dos documentos, a fim de certificar a sua veracidade e origem, utilizando a crítica externa e também a crítica interna.

Logo da Development Workshop. Fonte aqui

As fontes utilizadas nesta investigação assentam-se na análise de jornais (periódicos) impressos, manuscritos e fontes orais como fontes primárias e secundárias. As entrevistas foram semiestruturadas organizadas por um guião na qual o objectivo é ir ao fundo das questões concernentes ao objectivo do estudo. Neste trabalho, foi essencial o recurso ao acervo documental de instituições de referências como: Bibliotecas; Universidades e Arquivos. As marcas da evolução historica da cidade de Luanda estão presentes no seu espaço urbano através das edificações, as cidades coloniais sobretudo africanas, foram construídas segundo o principio de segregação, esta política funcionou como fiscalização urbana representou a fundação de um instrumento administrativo regulador de produto habitacional, importante na redefinição do espaço urbano, e também na definição de habitação para os indigenas, esta pratica, reflectiu‑se territorialmente em espaços distintos, muitas vezes segregativos do ponto de vista social. A localização do bairro indigena; o nome do bairro; as funções do bairro em relação a cidade Luanda; as populações que habitaram nele; as instituições construidas de apoio social, leva-nos a certificar categoricamente que o projecto da construção do bairro indigena teve um cunho social, mas se formos no íntimo das questões ele teve uma relação estreita com o racismo.

O “Debate à Sexta-Feira” é um espaço de debate organizado pela “Development Workshop Angola“, e serve para que especialistas, técnicos, estudantes, e a sociedade no geral, possam debater a volta de um tema apresentado por um prelector escolhido para cada edição.

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