African Design Center: A Bauhaus africana

Durante o inicio do século XX a escola alemã Bauhaus foi o estabelecimento de ensino mais influente para o pensamento arquitectónico europeu, sendo actualmente considerada uma das maiores expressões do movimento moderno, estando directamente associada a nomes como o dos pintores Kandinsky e Paul Klee, o artista Josef Albers e os arquitectos Walter Gropius (fundador) e Mies Van der Rohe.

Edificio emblemático da Bauhaus Dessau, Alemanha. Fonte aqui.

O African Design Center (ADC), surge da necessidade de garantir que a próxima geração de arquitectos e designers africanos tenham maior consciência das necessidades da arquitectura em África, criando soluções mais sustentaveis, direccionadas e condicionadas às condições especificas de cada região, cada local, contrariando a tendência de transportar outras formas e realidades da arquitectura para os países africanos, sem que estas representem, efectivamente, a melhor solução, quer no âmbito arquitectónico, construtivo, sustentável e económico.

Construção pela comunidade. Fonte aqui.

Como citado por Christian Benimana durante a sua apresentação no TED em 2017, o Banco Mundial prevê o crescimento da população africana para os 2.5 biliões de habitantes em 2050, duplicando o número actual. Tornando assim crucial, a necessidade de garantir a infraestruturas necessárias para albergar este número, através de estratégias de desenvolvimento urbano sustentáveis.

O ADC definiu assim um Programa de 20 meses, onde os bolseiros serão, durante esse período, desafiados a responder a problemas reais de regiões e comunidades africanas, quer no âmbito arquitectónico e urbanista como no âmbito ambiental/climático e sustentável, criando e desenvolvendo soluções e processos únicos, locais e inovadores. No final do curso, os bolseiros terão de projectar e construir um edifício baseado nas premissas indicadas anteriormente, respondendo a todas as questões e desafios locais. A escola primária de Ruhehe, foi o primeiro projecto resultante deste programa, que irá iniciar a construção este ano, 2018, em Ruhehe, no Burundi.

Primeiro grupo do programa de 20 meses. Fonte aqui.
Apresentação de materiais locais. Fonte aqui.

Sediado em Kigali, Ruanda, e lançado em Setembro de 2016, com 11 bolseiros, o African Design Center recebeu cerca de 75 candidaturas de 20 países diferentes. Pretende tornar-se numa espécie de “Bauhaus Africana” acompanhando o crescimento urbano africano, influenciando, criando e disponibilizando ferramentas à próxima geração de Arquitectos, Arquitectos Paisagistas, Urbanistas, Engenheiros e Designers, para criar e, como disse Christian Benimana, “desenvolver soluções realmente africanas, mas globalmente inspiradoras”.

Deixamos aqui a apresentação “A próxima geração de arquitectos e designers africanos”, feita pelo arquitecto Christian Benimana, dos Mass Design Group, no TED Talks 2017:

Para mais informações, aceda ao site oficial do African Design Center aqui.

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