Teoria de José Edmir Gonçalves de Faria: “Qualificação do espaço público informal em Luanda, Angola”

Hoje estreamos na nossa plataforma o primeiro de uma série de artigos, dentro da categoria “Teoria”, que visa trazer ao conhecimento do público, trabalhos científicos (monografias, dissertações de mestrado e teses de doutoramento), sobre arquitectura e urbanismo no continente africano, feitos por várias universidades um pouco por todo mundo. Dado o estágio de concretização da globalização, aonde as pessoas das mais variadas origens, culturas e nacionalidades transitam de um extremo do globo para outro sem grandes dificuldades, existem cada vez mais estudantes africanos e afro-descendentes, um pouco por todo mundo (incluindo em África), que quando são chamados a desenvolver um trabalho científico estabelecido pelo currículo dos cursos que frequentam, optam por desenvolver trabalhos sobre, e para, África no geral e/ou o seu país de origem ou de onde têm ascendência. Além dos estudantes africanos e afro-descendentes, existe ainda um grande número de estudantes, investigadores, e académicos no geral, de outras nacionalidades, que por afinidade cultural, laços afectivos ou pelo facto de África ainda estar presente imaginarium ocidental como um lugar virgem por descobrir, aonde “ainda” se pode fazer a diferença, decidem elaborar trabalhos sobre o continente “berço da humanidade”.

Para esta estreia trazemos a dissertação de mestrado do docente e Mestre em Arquitectura José Edmir Gonçalves de Faria, intitulada “Qualificação do Espaço Público Informal em Luanda, Angola“, desenvolvida na Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias de Lisboa (Portugal), que teve a Prof. Doutora Filipa Alexandra Gomes da Silva Oliveira Antunes como tutora. Deixamos o resumo da dissertação para vossa leitura:

Os assentamentos informais também conhecidos por musseques, localizados maioritariamente nas margens da cidade de Luanda, representam de forma física a segregação social do espaço urbano da capital.
Luanda conheceu índices elevados de migração interna (campo-cidade) num período pós-colonial, isto devido ao fator guerra civil que o país enfrentou durante décadas. Este crescimento demográfico não premeditado resultou paralelamente no crescimento significativo de áreas informais da cidade.
A capital do país alberga hoje cerca de 6 milhões de habitantes, dos quais mais da metade habita em áreas informais, carentes de infraestruturas básicas, equipamentos e de condições mínimas de habitabilidade.
Diferentes cidades pelo mundo enfrentam esta mesma realidade, e em muitas delas, têm sido feitas intervenções pontuais a nível de espaço público, de forma a deixar certas comunidades mais funcionais que podem servir de exemplo para a realidade angolana.
Para o caso de intervenções em assentamentos informais é importante ter-se em conta referências bibliográficas, bem como experiências de casos similares. Para que iniciativas do género sejam bem sucedidas, no caso particular de Luanda, é necessário que se leve em conta as características dos assentamentos, os hábitos, os costumes e ou culturas das populações destas comunidades e que olhares preconceituosos de culturas externas sejam postos de lado.

Mercado dos Caranguejos, Bairro da Boavista. Fonte aqui
Mercado dos Caranguejos, Bairro da Boavista: proposta de intervenção. Fonte aqui

Para ler a obra na íntegra, deixamos aqui o link para download e/ou leitura da dissertação. Caso queira ver publicado na nossa plataforma um artigo ou trabalho seu, envie-o para o geral@thesanzala.com.

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