Vencedores do Prémio Kubikuz 2015: Menção Honrosa da categoria “Habitação Social Urbana”

Dando continuidade ao conjunto de artigos sobre o Prémio Kubikuz 2015, após a estreia na passada segunda-feira, com o Menção Honrosa para a categoria “Habitação Social Rural” com um projecto proposto para o Icolo e Bengo, chegou a vez da categoria para o modelo urbano.

Vencedores e a organização do Prémio Kubikuz 2015. Fonte aqui
Arq. Jaime Mesquita no momento da premiação. Fonte aqui

Hoje trazemos o projecto da dupla formada pelo Arq. Jaime Mesquita e o Eng. Manuel Caseiro, que receberam a “Menção Honrosa Prémio de Habitação Social Urbana”. Segue a tradução livre do texto publicado no site Divisare em nome da ObA (Office Building for Architects), atelier pertencente ao Arq. Jaime Mesquita, e que conta com a colaboração de Gilson Mendes, Manuel Mendes, Mamona Duca, Fernando Missando e Armando Fernandes:

© OBA-OFFICE BUILDING FOR ARCHITECTS

Partindo da ideia de que a arquitectura não pode existir sem um programa, sem propósito, e muito menos sem restrições do lugar, para que ele não se torne um mero objecto de construção sem poética e diálogo com a paisagem, começamos por fazer um levantamento de alguns modelos de habitação na periferia da cidade de Luanda como ponto de partida para a elaboração de um programa para a nossa proposta de habitação social urbana.

© OBA-OFFICE BUILDING FOR ARCHITECTS

A casa se desenvolve no comprimento da parcela e em três níveis diferentes. No primeiro nível, o nível da rua, as áreas sociais da casa são desenvolvidas com um jardim da frente e uma pequena horta como meio de subsistência para as famílias. A área da sala e da cozinha divide os dois quintais. Também na entrada da casa, encontramos uma instalação sanitária para sustentar a moradia como reflexo do enquadramento da mesma no espaço das residências na periferia da cidade.

© OBA-OFFICE BUILDING FOR ARCHITECTS

A preocupação com a ventilação natural, bem como a entrada de luz natural e uso da água da chuva foram fundamentais para a estruturação formal da proposta, o que nos levou a propor soluções simples no interior que permitem um melhor desempenho da casa, na renovação do ar, dos espaços, bem como, a nível estrutural da cobertura que permite melhor orientação da água da chuva para o reservatório que está dentro da parede. A existência de uma parede estrutural que liga uma habitação a outra, surge com uma dimensão de 60 cm de largura para que tenha a função de parede técnica / estrutural, onde estarão localizadas todas as infraestruturas da habitação, bem como o reservatório de águas pluviais. Em termos de materiais, a casa é composta de alvenaria convencional em um bloco de cimento coberto por gesso projectado (ao ar livre) dando um efeito texturizado / áspero. Dentro da casa encontramos apenas paredes de blocos, redes metálicas como grades de protecção e cobogos pré-moldados em barro vermelho, o que torna o custo da casa muito baixo. Os pavimentos internos e externos são compostos de lajes de concreto armado com uma fina camada de polimento, dando o efeito cinza escuro, e também mantemos em algumas áreas dos pátios a terra vermelha como elemento unificador da génese dos Musseques.

© OBA-OFFICE BUILDING FOR ARCHITECTS
© OBA-OFFICE BUILDING FOR ARCHITECTS
© OBA-OFFICE BUILDING FOR ARCHITECTS
© OBA-OFFICE BUILDING FOR ARCHITECTS
© OBA-OFFICE BUILDING FOR ARCHITECTS
© OBA-OFFICE BUILDING FOR ARCHITECTS
Cortes.© OBA-OFFICE BUILDING FOR ARCHITECTS
Planta.© OBA-OFFICE BUILDING FOR ARCHITECTS

Além da dupla mencionada neste artigo e no anterior, foram também distinguidos com menções honrosas as duplas; Arq. Basílio Murta e o Eng. Resende Nsambu, e na categoria de Habitação Social Rural, foram distinguidos Fernando Diogo e o Eng. Iziquiel Domingos.

 

 

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