Arquitecto(s): Costa Lopes
Localização: Mutamba, Luanda, Angola
Ano: 2009/2013
Cliente: Institucional Programa: Escritórios
Área: 41.623 m2
Estado: Construído
O edifício “1º Congresso“, é um objecto marcante, tanto pela sua escala, em contraste com a escala do centro histórico aonde está inserido, bem como pela sua pela sua imagem, com um corpo constituído por vários anéis brancos horizontais, irregulares, separados pelas janelas envidraçadas recuadas do edifício que correm toda a fachada no mesmo movimento e sequência anelar. Estes anéis constituem a torre do edifício, que se apoia numa série de pilotis que permitem a criação de uma pequena praça que medeia a presença maciça do edifício com a cidade. Recuado da praça e dos pilotis, o embasamento do edifício é constituído por um corpo envidraçado que ocupa o terreno de forma irregular num movimento oblíquo. Além das características próprias do edifício, a sua localização, em plena baixa luandense, muito próximo da Mutamba, permitem-lhe uma exposição muito maior.


Segue o texto dos autores do projecto, sobre a sua obra:
A Torre 1º Congresso situa-se em Luanda, a capital de Angola. O projecto equaciona-se a partir de quatro condições fundamentais: o programa para uma instituição bancária – corporativo e genérico de escritórios mas associado a vertente sociocultural – com inevitável ocupação intensiva do lote disponível; a localização privilegiada no Largo Lumeji, um dos elos do sistema viário de expansão da cidade a partir da baixa, com forte carga pública; o contexto próximo em rápida transformação e imprevisível, entre verticalização generalizada e fechamento à fruição pública; e a vontade em salvaguardar ou mesmo ampliar, a priori, o espaço público da cidade.



Em resposta, o projecto sintetiza quatro passos fundamentais. Na dimensão do lote, organiza-se um volume prismático de 27 pisos com cerca de 30 metros de lado e 110 metros de altura a partir do térreo, aparte de 5 pisos subterrâneos para estacionamento. Contudo, a torre de escritórios descola-se do chão, assente em pilotis, cujo vazio de 3 pisos, transparente e mais articulado, organiza as áreas socioculturais (agência bancária, auditório e galeria de arte, apoiados por cafetaria), ampliando e qualificando o espaço público do Largo Lumeji. A torre racionaliza 18 pisos de escritórios equipados em open-space e interrompidos por 4 pisos técnicos, encimada por 2 pisos para a administração. Por fim, a expressão da torre resulta da contingência programática, estriada piso a piso, entre frentes vítreas recuadas e platibandas opacas, salientes e ondulantes. Muito elegante.


De dia e de noite, mesmo diante da verticalização circundante, a Torre 1º Congresso ganha forte autonomia plástica e urbana, sem prescindir da ética do espaço público. À distância, pelo seu carácter identitário. Na proximidade, pela imanente qualidade construtiva e, sobretudo, pela generosidade térrea entre espaço interno e externo, abrindo-se à fruição dos cidadãos.















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