Escola Flutuante de Makoko: NLÉ

Arquitecto(s): NLÉ
Localização: Makoko, Lagos, Nigéria
Ano: 2013
Cliente: Comunidade de Makoko
Programa: Escola
Área: 220 m²
Estado: Destruído devido a catástrofes naturais


A Escola Flutuante de Makoko está inserida numa comunidade costeira de Lagos, que sofre regularmente com os efeitos das monções. Neste âmbito surgiu a necessidade de se formularem soluções arquitectónicas que respondessem aos problemas desta comunidade. O NLÉ Architects, com o patrocínio do Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas (PDNU) e a Heinrich Boell Foundation, da Alemanha, projectou a Escola Flutuante de Makoko, que seria a primeira fase de três que visavam transformar aquela comunidade de casas flutuantes. A escola levou aproximadamente quatro meses a ser construída, tendo-se iniciado a sua construção em Outubro de 2012 e conclusão em Fevereiro de 2013.

Escola Flutuante de Makoko © NLE architects
Escola Flutuante de Makoko © NLÉ Architects.

A Escola Flutuante de Makoko, com capacidade para 100 alunos, usufruiu dos materiais e dos recursos locais para uma produção arquitectónica  centrada nas necessidades das pessoas e cultura da comunidade. A madeira tem aqui um papel de destaque pois é simultaneamente estrutura e acabamento. Formalmente, o projecto é uma secção triangular A-Frame, com três pisos. Acede-se à escola pelo piso térreo, onde há um espaço público verde, seguindo-se o segundo piso onde estão as salas de aula e um parque infantil e, por fim, no terceiro piso está uma sala de aula ao ar livre. A escola é fechada parcialmente por ripas de madeira ajustáveis que funcionam como persianas. O atelier responsável pelo projecto tentou aplicar estratégias que tornassem a arquitectura flutuante sustentável, através de painéis fotovoltaicas na cobertura e incorporando um sistema de recolha de águas pluviais. O objecto é naturalmente ventilado e arejado.

A sua estrutura assenta sobre uma base de 256 barris de plástico que permite ao objecto flutuar. Esta solução potencia a reutilização de materiais disponíveis que podem adquirir vários usos. Os tambores limítrofes da base podem ser usados para o armazenamento de água pluvial em excesso a partir do sistema de recolha.

Esquema da Escola Flutuante de Makoko. Fonte aqui.

A segunda fase do projecto conta com a construção de habitações unifamiliares que seguem a mesma linha projectual da escola, fazendo com que estas construções possam flutuar de forma independente ou que estejam ligadas umas às outras. A terceira fase incide no desenvolvimento de uma grande comunidade de arquitectura flutuante. As actuais construções de Makoko estão assentes em palafitas (Estacas de madeiras) e o NLÉ Architects tenta produzir mais contruções flutuantes ao redor da Escola Flutuante de Makoko.

Escola Flutuante de Makoko. Fonte aqui.

A comunidade piscatória de Makoko é auto-sustentável e se auto-governa, no entanto, com a sua destruição no verão de 2012, o seu futuro ficou comprometido no que respeita aos seus padrões políticos e ambientais. Este projecto de desenvolvimento de uma comunidade sustentável flutuante traz esperança ao futuro da comunidade.

Este tipo de solução arquitectónica foi anteriormente experimentada em Bangladesh, onde se verificam oscilações abruptas do nível do mar. Em 2012 foi apresentado um programa de escolas flutuantes em Bangladesh, projectadas pelo arquitecto Mohammed Rezwan, que contou com o apoio da organização sem fins lucrativos Shidhulai Swanirvar Sangstha.

Em 2016, devido às intensas chuvas na Nigéria, a Escola Flutuante de Makoko desmoronou, tendo  os dois pisos superiores cedido, ficando sobre a base os seus escombros.

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