Inaugurada na Alemanha exposição com instalações projectadas por Francis Kéré

Foi inaugurada recentemente em Dresden, na Alemanha, uma exposição intitulada “Racism. The Invention of Human Race” (Racismo: A Invenção da Raça Humana), cujas instalações foram desenhadas pelo arquitecto natural do Burkina Faso, Francis Kéré. A exposição investiga as implicação dos termo “raça” nas sociedades contemporâneas, com um portfólio composto por instalações, entrevistas em vídeo, eum conjunto de outras formas de arte como pintura, escultura, entre outros. Que visam  expandir a discussão sobre “o racismo casual, a genética das populações, o retorno dos bens culturais roubados e os desafios das sociedades pós-migração”.

francis kere racism exhibition
Espaço de exposição I, Francis Kéré. Fonte aqui
francis kere racism exhibition
Espaço de exposição II, Francis Kéré. Fonte aqui
francis kere racism exhibition
Espaço de Exposição III, Francis Kéré. Fonte aqui

O projecto consiste em três espaços diferentes de exposição, seguidos, num espaço estreito, cada um com uma cenografia única que dialoga com o tema da sala. O primeiro espaço é composto por uma estrutura modular de madeira, permeável visualmente, o que lhe transmite uma enorme sensação de leveza e/ou subtileza. O segundo espaço foi concebido como uma sala de exposição convencional, muito minimalista, com tons neutros. O terceiro e último espaço foi concebido como um espaço comunicativo, um enorme dossel florestal, uma analogia à cultura da África Ocidental, aonde tradicionalmente as pessoas se reúnem por baixo das grandes copas das árvores para os eventos sociais e/ou comunitários. O espaço incentiva também a interacção entre os visitantes, com espaços para se sentar.

francis kere racism exhibition
Planta e Cortes, Francis Kéré. Fonte aqui
francis kere racism exhibition
Axometria, Francis Kéré. Fonte aqui

 

 

Esquiço, Francis Kéré. Fonte aqui

A exposição está aberta ao público no Deutsches Hygiene-Museum, e conta com a curadoria de Susanne Wernsing. Segue uma tradução livre do texto introdutório presente do site do museu:

O racismo é uma ideologia desumana, mas ao mesmo tempo uma ocorrência quotidiana que confronta muitas pessoas com discriminação e violência. A cor da pele, aparência, religião ou linguagem levam-nos a ter experiências humilhantes que são quase inimagináveis ​​para outras partes da população. O racismo não apenas prejudica os indivíduos, mas também viola os ideais de igualdade e liberdade que formam a base de nossa sociedade democrática. Esta exposição investiga como essas formas de racismo estão ligadas ao termo “raça”: uma categoria que, embora pareça descrever as diferenças humanas, é na verdade usada para justificar a desigualdade política, social e cultural.

Embora as pessoas em todo o mundo pareçam muito diferentes umas das outras, não existem “raças humanas”. “Raças” são uma invenção cujos efeitos catastróficos causaram danos desde o século XVIII. A exposição analisa os métodos científicos por trás do desenvolvimento desta escola de pensamento e apresenta imagens e meios utilizados para disseminá-la até hoje. Uma seção aborda o papel do Deutsches Hygiene-Museum como uma máquina de propaganda para a chamada “higiene racial” sob o National Socialism. Outro capítulo é dedicado à política de exploração racial no período colonial, cujos efeitos posteriores se estendem aos movimentos de refugiados de hoje.

Todas as secções dão voz a figuras que examinaram criticamente ideologias raciais. Exibições multimédia, entrevistas filmadas e video-instalações apresentam temas actuais para discussão: racismo casual desenfreado, o debate sobre genética populacional, o retorno de bens culturais roubados ou os desafios de uma sociedade pós-migração. A equipe do projecto sob a curadora Susanne Wernsing contou com a assessoria de um grupo de trabalho formado por especialistas que lidam com experiências racistas a nível pessoal ou académico, como activistas ou como parte de programas educacionais. Os seus comentários se tornaram uma parte importante da exposição. O design é trabalho da Kéré Architecture, sediada em Berlim, que causou sensação internacional em 2017 com seu espectacular pavilhão para as Serpentine Galleries em Londres.

francis kere racism exhibition
Espaço de Exposição I, Francis Kéré. Fonte aqui
francis kere racism exhibition
Pormenor da estrutura do Espaço III, Francis Kéré. Fonte aqui

Deixar uma resposta

Navegar