Teoria de Adriana Semedo: “Qualidade Habitacional em Sustentabilidade: Área Habitacional Clandestina na Praia – Cabo Verde”

Para esta edição do “Teoria de:”, trazemos a dissertação de mestrado da arquitecta luso-cabo-verdiana Adriana Semedo, intitulada “Qualidade Habitacional em Sustentabilidade: Área Habitacional Clandestina na Praia – Cabo Verde“, desenvolvida na Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias de Lisboa (Portugal), e que teve o Prof. Doutor António Santa-Rita como tutor. Deixamos aqui um pequeno trecho da dissertação para vossa leitura:

Cidade da Praia, Cabo Verde. Fonte aqui

O conjunto das habitações ilegais encontram-se espalhadas por toda a periferia das cidades, a nível mundial, formando assim uma nova urbanização desorganizada, que é caracterizada pela autoconstrução.
As habitações clandestinas começaram a evoluir rapidamente a partir da independência do arquipélago, isto pela falta de políticas eficazes de planeamento, de estratégias de organização do espaço urbano e políticas de habitação e de solos. O elevado custo da construção, juntamente com o desemprego incapacita o arrendamento e a compra de uma casa, contribuindo e iniciando o aumento da construção clandestina, sendo que na maioria das vezes esta é a única opção das famílias mais carenciadas usufruírem de um teto.
A problemática da habitação clandestina em Cabo Verde não se remete apenas à ineficiência e a dureza do processo administrativo, mas também à inabilidade da administração em não conseguir responder à imensa busca de lotes municipais.
Portanto o objetivo desta dissertação é a partir de uma análise tipológica, criar uma tipologia flexível e evolutiva, como base de construção, com diversas soluções sustentáveis que vão ao encontro da habitação social e do realojamento no País.

Adriana Semedo, Lisboa, 2016 (um trecho do resumo da dissertação)

Cidade da Praia, Cabo Verde. Fonte aqui
Cidade da Praia, Cabo Verde. Fonte aqui

A habitação não é só feita para os seus residentes, mas para toda uma comunidade habitacional, essa construção deve ser feita para um momento e uma evolução, o descontentamento dos residentes com as condições de comodidade e com as habitações nunca deixarão de existir, visto que não é possível a sua total resolução, simplesmente com o tempo os problemas poderão ser minimizados ou alterados. Os habitantes que já conseguiram melhorar as suas casas pretendem fazer outros pisos sobre os existentes para os manterem em aluguer, em alguns bairros, mas em São Pedro Latada pretendem aumentar o número de divisões para albergar o excesso de filhos.

Os problemas urbanos que as populações da Latada apontaram foram as acessibilidades, a eletricidade, o fornecimento de água, saneamento e a recolha de lixo. A grande procura de habitação e emprego para a principal capital, a Praia, fez com que a cidade ficasse saturada das populações das ilhas, não estando preparada para acolher tantas pessoas, originado então os bairros clandestinos. Os problemas clandestinos vão sempre existir, o projeto proposto tem como objetivo traçar perspetivas futuras, de modo a envolver uma proposta de solução futura.

O governo e a Câmara Municipal da Praia têm tentado minimizar o défice habitacional da cidade, através de programas, nomeadamente Casa Para Todos. Esse programa resultou para aqueles que não tinham uma casa, mas acabou por criar descontentamentos de alguns pessoas da classe média e alta. Têm sido várias as tentativas para o combate deste fenómeno, mas não tem sido o suficiente. A partir do estudo de uma tipologia existente, desenvolveu-se métodos e soluções bases para que a população cabo-verdiana possa desenvolver as suas habitações. Os métodos foram com base em soluções de sustentabilidade.

Adriana Semedo, Lisboa, 2016 (um trecho da conclusão da dissertação)

Para ler a obra na íntegra, deixamos aqui o link para download e/ou leitura da dissertação. Caso queira ver publicado na nossa plataforma um artigo ou trabalho seu, envie-o para o geral@thesanzala.com.

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