Teoria de Arlindo Carlos: “Arquitetura de terra. Escola Primária em Kingoma”.

Para esta edição do “Teoria de“, trazemos a dissertação de mestrado do arquitecto angolano Arlindo Carlos, intitulada “Arquitetura de terra: Escola Primária em Kingoma“, desenvolvida na Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias de Lisboa (Portugal), e que teve o Prof. Doutor António Santa-Rita como tutor. Deixamos aqui um pequeno trecho da dissertação para vossa leitura:

“Vista do pátio interior”. © Arlindo Carlos.
“Vista interior de uma das salas de aulas com uma organização convencional”. © Arlindo Carlos.

Intitulada Arquitetura de Terra: Escola Primária em Kingoma, esta dissertação insere-se na temática da sustentabilidade, do vernáculo e que com a terra crua a Arquitetura ganhou vida.
Obedece-se ao mito vernáculo e aos diversos materiais presentes nessa arquitetura até se chegar ao material de eleição, a terra crua, que é abundante no nosso planeta de uma forma geral, mas sempre aplicada de forma local, neste caso em Angola. O local possui uma rica arquitetura em terra nos meios rural e urbano, onde são utilizadas diversas técnicas de construção de terra, o adobe, cuja utilização foi, tem sido e será ainda muito recorrida para se contruir objetivo rentável numa vertente ambiental e econômica, necessários para Angola.
Esta dissertação é o resultado de diversas análises, sendo elas absorvidas de fontes literárias físicas ou virtuais, e é ainda o culminar de entrevistas e de conversas com profissionais ligados ao ramo da arquitetura de terra e ainda de pessoas na sua maioria residentes no meio rural que adquiriram esse conhecimento dos seus antepassados, dando assim à dissertação bagagem necessária para provar ou servir de incentivo à sociedade, que com o uso da terra independentemente da técnica a ser aplicada, estaria o ser humano a regressar às sua origens e aproveitar o que de nela há de melhor, poder construir de uma forma mais sustentável o seu teto. A dissertação, tem ainda uma outra intenção, a de melhorar o sistema de ensino em
Angola, propondo-se uma escola primária com a utilização de materiais vernáculos, proposta para implantação e construção numa área rural, a aldeia Kingoma, pertencente ao município da Damba, província do Uíge.

Arlindo Carlos, Lisboa, 2017 (resumo da dissertação)

“Corte demostrando os diferentes materiais para a proposta”. © Arlindo Carlos.
“Planta de piso”. © Arlindo Carlos.

 

Foi objetivo da presente dissertação estimular e defender uma sustentabilidade ambiental, provando que com o estímulo certo da arquitetura vernácula independentemente do material, estaria o homem a prolongar o tempo de vida útil do nosso planeta, onde estaria a gastar e poluir menos, e assim preparar um lugar benévolo para a próxima geração que nele habitará.

Serviu também de objetivo, aprofundar alguns conceitos sobre a arquitetura vernácula de terra crua, utilizando o adobe tradicional como material maciço e técnica construtiva aparente, e saber como esses conceitos podem ser aplicados nas mais variadas situações e contextos.
Após a reunião de conhecimentos à volta do tema, foi proposto um projeto ligado à vertente educacional em África, mais propriamente à norte de Angola, na província do Uíge, município da Damba, aldeia do Kingoma, e assim, surgiu a Escola Primária em Kingoma.

Para a elaboração da dissertação, no que respeita ao método, houve a necessidade de a dividir em três fases por uma questão de sistematicidade, nomeadamente uma primeira analítica que serviu para recolher e absorver todo o tipo de informação retirada em fontes literárias sendo elas físicas ou virtuais e ainda a ocorrência de várias observações in loco. A segunda fase restringiu-se a entrevistas com profissionais ligados ao ramo da arquitetura de terra e ainda com pessoas na sua maioria residentes no meio rural que adquiriram o conhecimento dos seus antepassados. E por fim uma última fase que é o culminar de toda a informação absorvida e aplicada na proposta da escola primária.

De um modo geral, a arquitetura vernácula está vincada no conhecimento das técnicas e práticas tradicionais de um povo, tendo um carácter autoconstruído contando com a participação dos elementos da comunidade, gerando assim um apreço pelo artífice e pela qualidade. Esse tipo de arquitetura, vincula-se na ideia de que toda e qualquer estrutura vernácula é erguida com os materiais locais e que se adaptam de uma forma única ao clima e aos modos de vida desse local e assim, aumenta o seu valor ecológico. A escala humana muito lhe caracteriza, e o seu processo até um certo ponto é mais importante do que o produto final, onde a combinação da boa adaptação ecológica, a proporção humana, a destreza e a
procura insistente da qualidade, sem esquecer dos ornamentos. Ganha um forte interesse por diversos estudiosos como historiadores, arquitetos, arqueólogos, antropólogos e outros, onde cada um a tentou definir, dando assim origem a uma diversidade de falácias vernáculas, que com o passar do tempo têm sido divergidas com explicações mais lógicas que por sua vez refletem os pré-juízos desses profissionais, mas aqui vai uma definição que achamos poder se encaixar no nosso contexto intelectual, assim podemos dizer que a arquitetura vernácula é a ciência ou arte de construir utilizando materiais e recursos locais. É de realçar que todas as
formas da arquitetura vernácula sendo elas de terra, pedra ou madeira, são construídas para atender necessidades específicas sempre de acordo com o estilo de vida das diferentes culturas que as produzem.

Arlindo Carlos, Lisboa, 2017 (um trecho da conclusão da dissertação)

 

Para ler a obra na íntegra, deixamos aqui o link para download e/ou leitura da dissertação. Caso queira ver publicado na nossa plataforma um artigo ou trabalho seu, envie-o para o geral@thesanzala.com.

 

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