Muxarabis e Cobogós. O que são?

Propícios a serem aplicados em climas quentes, soluções do ponto de vista estético e económico favoráveis, Muxarabis e Cobogós, apesar de não serem elementos propriamente novos na arquitectura, merecem toda a nossa apreciação, pelas propriedades que apresentam e pela qualidade ambiental que podem proporcionar à espaços com a sua implementação. Desta, resolvemos trazer para os nossos leitores esta resenha, para que possamos aprimorar os nossos conhecimentos sobre estes elementos arquitectónicos bem conhecidos por todos nós, pelo menos visualmente.

Muxarabis

De origem árabe, são elementos de fachada, geralmente em madeira, usados para preencher vãos possibilitando a entrada de luz e ventilação natural. Pela disposição da sua trama, os muxarabis possibilitam ainda que se tenha contacto visual para o exterior, mas não o oposto, preservando a privacidade do espaço interior de um determinado edifício. Além disso, proporciona a pequenos e grandes espaços beleza exótica, graças ao sombreamento que a sua trama em madeira oferece.

Há uma certa discrepância em algumas fontes no que diz respeito a origem, criação e finalidade dos muxarabis. Algumas fontes indicam que foram criados com a finalidade de proteger as mulheres de olhares que poderiam alcançar o interior das residências e pátios; e outras mencionam que foram criados com a finalidade de manter frescos os compartimentos onde a “água de beber” era preservada em jarros. O facto é que, os muxarabis chegam ao Brasil na época colonial, trazidos pelos portugueses, e foram largamente usados com o intuito não só de garantir privacidade, mas também de proporcionar conforto térmico nos espaços.

Muxarabi. Fonte aqui.
Residência FT por Reinach Mendonça Arquitetos Associados. © Nelson Kon
Studio R por Studio MK27. ©  Fernando Guerra.

Cobogós

Os cobogós surgem na década de 1920, em Recife, Brasil, inspirados nos muxarabis árabes, mas com diferentes características. O seu nome resulta da junção da primeira sílaba do apelido dos seus autores, os engenheiros Amadeu Oliveira Coimbra, Ernest August Boeckmann e Antônio de Góis. São elementos vazados modulares, geralmente simétricos, e podem ser fabricados com materiais diversos, como: cerâmicos, vidro, betão, cimento, argila, etc. Estas especificações não alteram a sua função, que tal como os muxarabis, aproveitam a iluminação natural e a circulação de ar.

Não existe um design padrão para os cobogós, estes podem adquirir diferentes geometrias de acordo com a criatividade do seu desenhador, e garantem qualidade estética quando bem aplicados, como podemos observar nas imagens abaixo.

Corte esquemático. Uso de cobogós. Universidade de Alioune Diop por IDOM
Universidade de Alioune Diop por IDOM. © Francesco Pinton
Residência KS por Arquitetos Associados. © Joana França
Casa Cobogó por Studiomk27. © Nelson Kon

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