Sede do Parque Natural do Fogo: Oto Arquitectos

Arquitecto(s): Oto Arquitectos
Localização: Chã das Caldeiras, Ilha do Fogo, Cabo Verde
Ano: 2013
Cliente: Ministério da Agricultura
Programa: Institucional
Área: 1100,00 m2
Estado: Destruído.


Situada na ilha vulcânica do Fogo, Cabo Verde, a Sede do Parque Natural do Fogo (PNF) é um edifício projectado pelo atelier português Oto Arquitectos. O mesmo destaca-se pela sua textura negra que advém do uso das cinzas do vulcão nos blocos de alvenaria, e pelo seu enquadramento no local com uma continuidade dos pátios à cobertura do edifício, tornando-o numa estrutura orgânica  única e bela de se apreciar.
Em Novembro de 2014, cerca de 7 meses após a sua inauguração, a sede do PNF foi destruída devido à uma erupção do vulcão da ilha.

PNF. © Fernando Guerra | FG + SG

Segue a tradução livre do texto extraído da página do atelier:

Na ilha do Fogo, a uma altitude de 1800 metros, no meio da cratera do vulcão, encontra-se uma aldeia de cerca de 1200 habitantes que vive à margem da legalidade, ocupando terras estatais onde são organizadas e realizadas actividades agrícolas, como meio de subsistência, numa das regiões mais pobres de Cabo Verde.

A paisagem natural, notavelmente marcada pelo vulcão e a sua cratera, possui uma beleza única e rara, aspirando a se tornar um património mundial. A ideia era, portanto, alcançar uma solução equilibrada, em que a arquitectura e a paisagem se tornassem cúmplices, complementares entre si. A massa do edifício é constituída por uma pele contínua, composta por blocos de alvenaria local – uma mistura de cimento e cinzas do vulcão.

PNF, vista para o vulcão. © Fernando Guerra | FG + SG

As cinzas são também usadas para cobrir a cobertura e áreas exteriores, misturando natureza e construção em uma simbiose natural.

Durante o dia, as paredes longas contornam o edifício e se misturam à estrada, sugerindo a existência de espaços através de uma interação de sombras. À noite, a luz brilhante é evitada como meio de proteger as aves nativas.

Vista para a cobertura e pátio. © Fernando Guerra | FG + SG
PNF, vista geral. © Fernando Guerra | FG + SG

Para abordar a existência de qualquer infraestrutura de utilidade pública anterior, o edifício foi pensado como uma unidade auto-suficiente. Painéis fotovoltaicos na cobertura absorvem a luz solar que é então armazenada em baterias fornecendo recursos de energia necessários para o edifício. Para economizar energia, todos os sistemas de ventilação são passivos. Os sistemas integrados de fachadas permitem o controle das temperaturas internas, aproveitando a inércia térmica do edifício, permitindo a acumulação de calor durante o dia e a ventilação natural durante a noite.

Vista exterior II. © Fernando Guerra | FG + SG

O abastecimento de água também foi um desafio. A água da chuva é recebida e direccionada ao longo do topo do edifício para um tanque de armazenamento, do qual pode ser usado tanto como irrigação quanto água doméstica. As águas cinzentas são recolhidas, recicladas e bombeadas de volta para o sistema.

O edifício está dividido em duas áreas principais: Cultural, composto por um auditório, um teatro ao ar livre, biblioteca e esplanada. Administrativo, que compreende salas de reunião, escritórios, áreas técnicas e de laboratório. Uma sucessão de terrenos inclinados compõem as áreas exteriores, estendendo-se da cobertura até os pátios principais do edifício, onde espécies vegetais representativas do parque natural, são plantadas, fundindo-a com o ambiente.

PNF. © Fernando Guerra | FG + SG

Axonometrias | sustentabilidade. © Oto Arquitectos

Planta baixa. © Oto Arquitectos
Corte. © Oto Arquitectos

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