Teoria de Fredson Victor Cruz da Silva: “Blocos residenciais modernos da Unidade de Vizinhança n.º 1 do Bairro Prenda em Luanda: morfologia e tipologia na torre de 12 pisos”

Para esta edição do “Teoria de“, trazemos a dissertação de mestrado do arquitecto angolano Fredson Victor Cruz da Silva, intitulada “Blocos residenciais modernos da Unidade de Vizinhança nº 1 do Bairro Prenda em Luanda: morfologia e tipologia na torre de 12 pisos“, desenvolvida na Universidade Lusíada de Lisboa (Portugal), que teve como orientador o Prof. Doutor Arqt. Orlando Pedro Herculano Seixas de Azevedo. Deixamos aqui um pequeno trecho da dissertação para vossa leitura:

Maquete – Unidade de Vizinhança nº 1 do Bairro Prenda (Goycoolea Prado, 2011)

Consta da presente dissertação um estudo sobre o urbanismo e a arquitetura moderna em Luanda que decorreu entre as décadas de 1950 e 1975. Nesse período enquadra-se a Unidade de Vizinhança nº 1 do Bairro Prenda, plano de urbanização pensado à luz da Carta de Atenas e moldado segundo os pressupostos politicos, económicos e sociais que caracteriza a visão do arquiteto sobre o urbanismo. Tendo sido erguido parcialmente, o plano destaca-se pela construção de um conjunto de blocos de habitação coletiva como parte do programa previsto. Nos blocos residenciais, o Arq. Fernão Simões de Carvalho introduz os conceitos de um modernismo com raízes na Europa, mas que é profundamente pensado para se adaptar a uma realidade diferente na qual o arquiteto tem uma abordagem mais realista do que subordinada a preceitos estilísticos, constituindo assim, um ícone do modernismo tropical. A unidade de vizinha do BP é um produto da época e expõe o vasto trabalho levado a cabo pelo Gabinete de Urbanização da Câmara de Luanda no período colonial.

Fredson Victor Cruz da Silva , Lisboa, 2015 (resumo da dissertação)

Vista do Prenda. Bairro ainda em construção na década de 1964 (Venâncio, 2013, p. 132)

Enquanto célula urbana inserida no território de Luanda, a Unidade de Vizinhança nº 1 do bairro Prenda resultou do cruzamento de três situações:

A primeira, do quadro político, social e económico do período colonial, momento em que o Estado Novo intensifica as políticas de ocupação sistemática do território angolano. Este momento converge com o auge do desenvolvimento económico e social do país, espelhando-se no aumento populacional, resultando igualmente no aumento da carência de alojamento.

A segunda, dos avanços na pesquisa da nova cidade funcional, debatidos nos congressos de arquitetura moderna e das experiências na Europa e de Portugal do urbanismo e da arquitetura moderna. Trata-se das influências morfológicas e tipológicas quer na escala da cidade quer na escala do alojamento que caraterizam o enquadramento da estética modernista.

A terceira, do percurso profissional e das experiências do arquiteto Simões de Carvalho. A sua passagem por Luanda, Lisboa e Paris definiram a sua atitude em relação ao plano do BP, onde não hesitou em aplicar os seus conhecimentos colhidos na Escola de Belas Artes de Lisboa, no Gabinete de Urbanismo do Ultramar em Lisboa, em Paris no Instituto de Urbanismo da Sorbornne e no atelier de Le Corbusier associado ao sentido ético e humanístico do arquiteto.

Do ponto vista arquitetónico, os blocos habitacionais construídos obedecem à estética da linguagem moderna, mas com características muito próprias em termos construtivos, que expõem a leitura da cidade em termos geográficos e climáticos. Os vãos nas fachadas exteriorizam a métrica e repetição dos fogos com a clara aplicação do sistema modular. Os blocos demonstram a aplicação dos cinco pontos para uma nova arquitetura proposto por Le Corbusier, estando sob pilotis, cujo distanciamento entre os blocos cria “pracetas” que são reconhecíveis na leitura do bairro.

Fredson Victor Cruz da Silva , Lisboa, 2015 (um trecho das considerações finais da dissertação)

Para ler a obra na íntegra, deixamos aqui o link para download e/ou leitura da dissertação. Caso queira ver publicado na nossa plataforma um artigo ou trabalho seu, envie-o para o geral@thesanzala.com.

Deixar uma resposta

Navegar