Ukubutha: Solução de Infra-estrutura Sanitária. Independente de Agentes Governamentais

O acesso a água potável e infra-estuturas sanitárias públicas ainda é um ímpasse mundial. Em Julho de 2017, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a UNICEF divulgaram dados que indicavam que cerca de 3 em cada 10 pessoas em todo mundo – ou seja, 2,1 mil milhões de pessoas, não têm acesso a água potável em suas residências -, e 6 em cada 10 pessoas, ou seja, 4,4 mil milhões de pessoas, não têm acesso a saneamento gerido de forma segura. Para África, especificamente a África Subsariana, o relatório divulgado pela OMS e UNICEF indica que apenas cerca de 24% da população tem acesso a água potável; e cerca de 28% tem instalações de saneamento básico que não são compartilhadas com outras famílias, uma situação dramática e que atenta à saúde pública nos países a sul do Saara.

Ukubutha, projecto desenvolvido pela arquitecta sul-africana Nicole Nomsa Moyo, surge com o intuito de mitigar esta problemática na comunidade de Mamelodi, Pretória, África do Sul, capacitando-a com meios para criar o seu próprio sistema de abastecimento de água, energia e resíduos.

O projecto apresenta cabanas tradicionais, que irão reunir a comunidade e reflectir as suas próprias tradições e culturas. As instalações de saneamento dentro das cabanas colectam gás metano, uma fonte renovável de combustível produzida por dejectos humanos. Os resíduos, são ainda utilizados na instalação convertendo-os em fertilizantes. Isso, por sua vez, incentiva a horticultura comunitária e a auto-suficiência. A estrutura foi desenhada para depender da natureza e da gravidade, de modo que não seja necessária mão de obra especializada para o seu funcionamento.

Ukubutha. Fonte aqui

Segue a tradução livre da informação cedida pela arquitecta e imagens do projecto:

Esta pesquisa investiga uma comunidade urbana subdesenvolvida na periferia de um antigo município de Pretória, na África do Sul. A comunidade está situada ao longo da fronteira de Mamelodi, o sétimo maior município do país. O município foi criado inicialmente sob o regime do Apartheid, especificamente para a alienação das divisões residenciais de raça e culturas físicas. Embora vibrante com a actividade económica e social, milhares de pessoas no local têm acesso limitado a saneamento adequado ou água e não têm electricidade. Actualmente, os moradores não estão conectados aos serviços municipais de infra-estrutura. Caminhões-cisternas entregam água uma vez ao dia em quantidades limitadas. 83 cabines sanitárias públicas limpas são dispersas duas vezes por semana e compartilhadas por mais de duas mil pessoas. Em 21 anos de democracia, o país conseguiu suceder a um sistema de opressão socioeconómica, mas, na realidade, as pessoas ainda vivem abaixo dos padrões internacionais de qualidade de vida.

Mamelodi, Pretória, África do Sul. © Nicole Nomsa Moyo
Mamelodi, Pretória, África do Sul. © Nicole Nomsa Moyo

Ukubutha é baseado em uma compilação abrangente de experiências pessoais, visitas ao local e numa análise crítica que investiga a história complexa que ainda está moldando a situação básica da actual África do Sul. É fundamental que se entenda as tribulações herdadas na África do Sul durante e após o Apartheid que formaram uma crise nacional. Como surgiram esses problemas? Qual o papel da arquitectura e do planeamento? Como essas disciplinas se traduziram em infortúnios de saneamento, água e electricidade? Tendo compreendido os contextos históricos, sociais e políticos da África do Sul e do município de Mamelodi, em Pretória, então, é possível avaliar as oportunidades que esses obstáculos apresentam, necessárias para ajudar a garantir a realização de intervenções sociais e geográficas significativas, usando a arquitectura como o principal mecanismo de mudança social. Ukubutha é um termo zulu que significa ‘reunir’. O nome do projecto descreve as intenções de uma resposta arquitectónica à crise. O papel da arquictetura é mediar entre as necessidades sociais das comunidades do município, sem acesso formal à água ou saneamento e electricidade. Aqui, a arquitecta projectou uma instalação fácil de construir e de fácil acesso para a comunidade. Embora a crise sul-africana gire em torno da água e do saneamento, Ukubutha reconhece a interconectividade de necessidades e actividades que melhoram os padrões de vida. A fabricação do projecto responde às questões ambientais, realidades sociais e culturais na comunidade jovem de Mamelodi. A recolha de recursos do meio ambiente e a reciclagem de resíduos orgânicos emanciparão a comunidade de toda a dependência de agências governamentais.

Ukubutha, plano. Fonte aqui
Ukubutha, Corte longitudinal. © Nicole Nomsa Moyo
Ilustração da proposta I. © Nicole Nomsa Moyo
Ilustração da proposta II. © Nicole Nomsa Moyo

Ukubutha. © Nicole Nomsa Moyo

Assista abaixo a apresentação do projecto feita pela arquitecta à plataforma Design Indaba:

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